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viernes, 10 de junio de 2011

UN POEMA DE EUGENIO DE ANDRADE.



Passamos pelas coisas sem as ver,



gastos, como animais envelhecidos;



se alguem chama por nós nao respondemos,



se alguém nos pede amor nao estremecemos,



como frutos da sombra sem sabor,



vamos caindo ao châo, apodrecidos.



É urgente o amor,



É urgente um barco no mar.






É urgente destruir certas palavras,



ódio, solidâo e crueldade,



algúns lamentos,



muitas espadas.






É urgente inventar alegría,



multiplicar os beijos, as searas,



é urgente descobrir rosas e ríos



e manhas claras.






Cai o silêncio nos ombros e a luz



impura, até doer.



É urgente o amor, é urgente



permanecer.

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